Já me fiz esta pergunta imensa vezes e, de certeza, que muitas pessoas espalhadas por esta blogosfera e por este país a fizeram também.
Para quê passar grande parte da vida a estudar se, depois, quando temos o canudo na mão, não conseguimos encontrar um emprego adequado às nossas habilitações? Para quê tantos anos de massacre cerebral se, depois, vemos os nossos sonhos estilhaçados em mil pedaços? Para quê tantos livros lidos, tantas fotocópias tiradas se, depois, elas vão para o sótão ganhar pó, pois não nos servirão de mais nada? Para quê tantas horas de sono perdidas a fazer trabalhos, com o objectivo de tirar boas notas, se no final de tudo uma boa média não me garantirá um bom emprego?
Sim, eu sei que não sou a única pessoa nesta situação. Sim, sei que há mais como eu. Mas, isso não me consola. Tudo bem que eu já sabia que não iria ser fácil quando terminasse os estudos. Já sabia de ante mão que nem tudo ia ser um mar de rosas… Mas caramba, dois anos é muito tempo. Dois anos ainda em casa da mamã, dois anos a procurar emprego sem conseguir nada, dois anos de desespero. Dois anos a ouvir “pois, isto está difícil”, “pois, é não desistir”…
Eu sei disso tudo. Sei que o país está em crise, sei que não há emprego, sei que o mercado está saturado. Mas então, quando começarei eu uma vida? Quando serei eu independente? Quando terei eu um meio de me sustentar a mim mesma? Quando terei eu um espaço só meu, do qual eu seja senhora e rainha?
E o que mais me irrita e transtorna é que o Governo nada faz. Vê as faculdades a formarem alunos aos pontapés e mantêm-se pávido e sereno, sabendo que o mercado não conseguirá dar vazão a tanta gente. Os cursos, em vez de serem encerrados durante uns tempos, continuam abertos a formar pessoas para o desemprego.
A minha mãe, em relação a este assunto, há uns tempos disse-me: “Então, mas eles têm direito de tirar um curso como tu tiraste”. Sim, claro que têm. Mas também têm direito a um emprego estável, que seja bom a nível remuneratório e a uma vida digna e não é isso que vai acontecer, não é isso que está a acontecer.
Recém-licenciados estão, muitas vezes, destinados a trabalhar em lojas de centros comerciais ou em caixas de supermercado. Atenção, que é um trabalho honesto e digno como qualquer outro, não tendo eu nada contra quem lá trabalha. Mas, para isto não é preciso um curso superior. E, mesmo para conseguirem trabalhar nestes locais, os licenciados têm que esconder as suas habilitações, caso contrário não entram por excesso das mesmas. É aqui que me tocam num ponto sensível: ignorar as habilitações que se tem. A mim, tal mete-me muita confusão, pois eu tenho orgulho no meu curso, tenho orgulho em mim por o ter conseguido tirar sem perder um único ano e sem deixar uma única cadeira para trás. Passei horas a estudar, passei horas a fazer trabalhos, gastei imenso dinheiro em fotocópias e tudo o mais que estudar numa faculdade implica. A minha mãe fez sacrifícios para me dar este curso e, rejeitá-lo soa-me a desprezo.
E depois claro, há aqueles que tem sorte ou factor C como é mais comum chamar-lhe. Mas deste não vou nem falar, pois este post já está a ficar longo de mais. Fica para uma próxima vez…
Uma vez um conhecido da minha mãe perguntou-lhe se eu já estava empregada, ao que ela respondeu que não. A resposta do senhor foi simples: “Puxa, isto está muito mau… quando é que ela vai começar a vida dela assim?”
Ora, aqui está uma pergunta pertinente à qual eu gostaria de dar uma resposta. Talvez pergunte ao Sr. Primeiro-Ministro e à Sra. Ministra da Educação. Talvez eles me possam responder o porquê de, apesar de sermos um dito país da União Europeia, temos uma taxa de desemprego tão alta ao nível dos licenciados. Talvez eles me consigam responder o porquê de na Suécia, por exemplo, darem mais importância à qualidade dos estudos do que à quantidade de alunos. Talvez eles me consigam explicar como é que na Suécia (já que peguei neste exemplo), os alunos de Mestrados recebem bolsas de 1800 euros e aqui se chegarem aos 500 é um milagre.
E mais importante de tudo, talvez eles me saibam dizer com que idade é que vou puder formar uma família. É que para isto é preciso um emprego, estável claro, para ganhar dinheiro, de modo a que consiga alugar uma casa (já nem digo comprar ou construir), para depois poder começar a pensar numa família. Ou seja, pelo andar da carruagem vou ter filhos quando já tiver idade para ser avó…
E pronto, hoje estou assim… Inquieta, de mau humor, chateada e f***** com este meu Portugal, onde não sei se conseguirei realizar alguns dos meus sonhos! Esperam-se os desenvolvimentos dos próximos capítulos…
Porra, ganda texto!!!