A minha família é toda aqui da região de Viseu, mais propriamente duma pequena aldeia, na qual eu agora moro, juntamente com a minha mãe e com a minha avó. Por sua vez, a minha tia, tio e respectivos primos moram na capital, Lisboa.
Como todos sabem, nestes meios pequenos, todas as pessoas têm as suas crendices. Acreditam em espíritos, mesinhas, videntes, etc e tal. A minha avó, a minha tia e a minha mãe (que acredita um pouco mas, lá coloca as suas dúvidas) não é excepção.
A minha tia está assim com uns problemas com o meu primo mais velho. Não vale a pena mencioná-los aqui, pois se vos contasse a história toda um dia não chegava. Mas continuando… Para tentar resolver esse problema que acredita ser causado por bruxaria resolveu recorre a uma vidente. A dita vidente disse-lhe para fazer isto e aquilo, para preparar este e aquele chá, para fazer aquele ou aqueloutra oração. Enfim, uma infinidade de coisas. Resultou? Não. Continua tudo na mesma. Menos a carteira da minha tia que está cerca de 1000 euros mais leve.
A tal vidente era daqui da zona e visto a impossibilidade da minha tia lá ir, era a minha mãe que ia às “consultas”. Eu costumava acompanhá-la, mas nunca entrava no “consultório”, excepto da última vez que lá fomos. Aproveitando que já lá estávamos a minha mãe pediu à senhora para me dar uma “consulta”, ou seja, ler as cartas para ver se estava tudo bem comigo visto eu não conseguir arranjar emprego.
A senhora lá baralhou as cartas, eu parti, ela colocou-as na mesa e ficou a olhar para elas.
Vidente: A menina realmente tem alguma coisa. Mau-olhado.
Eu: … (Nada a dizer. Se ela me dissesse que não tinha nada é que eu me espantava)
Vidente: A menina tem namorado, certo?
Eu: Sim, tenho. (Tenho uma aliança no dedo. Será que foi por aí que ela deduziu que eu tinha namorado?)
Vidente: Pois, este mau-olhado está relacionado com o seu namorado. (WTF????) Alguém que é ou foi relacionado com o seu namorado fez-lhe isto. Uma ex-namorada talvez. (Pois, claro. Tinha que ser!)
Mãe: Mas ela vai arranjar emprego.
Vidente: Se até ao Fevereiro ou Março não arranjar deve fazer um “tratamento”.
Mãe: E quanto é?
Vidente: 500 euros. (Dasse…) Mas não se preocupe que tem boas cartas, menina. Tem aqui a árvore da felicidade. Vai casas, construir família e ser muito feliz.
Eu respeito quem acredita nestas coisas de videntes e tal. Eu até posso acreditar que haja pessoas que têm uma sensibilidade diferente, mais apurada, capazes de ver para além deste mundo visível. Mas mal pedem dinheiro para usarem essas faculdades perdem logo toda a credibilidade. É a mesma coisa que Jesus dizer: “Queres andar? Dá-me 30 moedas de prata”.
Mete-me um pouco de confusão as pessoas porem as culpas em qualquer coisa de sobrenatural quando as coisas correm mal. “Ah e tal estou com dores de cabeça. Foi aquela gaja que me fez isto”, “Fui despedido. Foi aquele tipo cheio de inveja que me fez vudu”, “Estás com um mau humor. Deves ter alguma coisa dentro de ti”… Que exagero também! Se dói a cabeça pode ser por ter estado muito tempo à frente do computador. Se foi despedido, é altura de olhar para trás e repensar se fez alguma coisa mal e corrigi-la se possível. Se está de mau humor é porque o dia correu mal. Acontece.
Eu acredito que há forças superiores, sobrenaturais, mas não acho que se deva reger a vida por isso e culpar os espíritos por tudo e por nada, nem recorrer a videntes ou bruxos de cada vez que a vida nos passa uma rasteira.