quarta-feira, junho 16, 2010

Comer e calar...


Quando entrei para a faculdade não conhecia praticamente ninguém. No entanto, nas praxes lá ia conversando com outros caloiros, de forma a travar alguns conhecimentos. Mas, foi quando chegou uma rapariga da 2ª fase, que surgiu uma verdadeira empatia. Uma empatia tão grande que, praticamente, nos tornámos inseparáveis. Andávamos sempre juntas, fazíamos os trabalhos sempre juntas e por aí adiante.

 Eu ajudei-a bastante. Foi graças a mim que ela fez o curso sem chumbar nenhum ano. Não vale a pensa ser modesta em relação a este aspecto, pois é a mais pura verdade. Nunca fui capaz de lhe dizer "não". Se ela me pedia ajuda, eu ajudava. Se ela me pedia para lhe emprestar um trabalho que tinha feito (e que me tinha demorado bastante tempo), eu emprestava e ela copiava (em 20 minutos tinha o trabalho feito). Nas frequências sempre que ela me pedia, eu dizia-lhe as respostas correctas. Eu estava sempre lá, sempre a dizer que "sim" a tudo.

Ela também me ajudou em certas e determinadas coisas e ouviu os meus desabafos. Não o vou negar. Mas chegou uma altura em que as coisas mudaram. Em que ela revelou não conhecer o significado da palavra amizade, nem da palavra gratidão. O motivo pelo qual as coisas mudaram não interessa. Interessa só o facto que ela me passou a "atacar" sem dó nem piedade. Mau-feitio atrás de mau-feitio, mau-humor atrás de mau-humor e bocas atrás de bocas.

No entanto, apesar de termos sido amigas, de termos partilhado bons momentos (não o vou negar) e de ela me ter ajudado eu não ia "comer e calar" aqueles "insultos" que ela me fazia. Não! Não ia deixar que ela me culpasse de tudo e mais alguma coisa, que me tirasse a minha paz de espírito e a minha serenidade. Mesmo depois de tudo o que passámos tive que me insurgir e por fim àquilo.

Tudo isto para dizer que não podemos deixar que ninguém nos pise e desrespeite, mesmo que esse alguém já nos tenha ajudado em alguma ocasião anterior. Não é por nos ter dado uma mãozinha no passado que nos pode humilhar ou cobrar essa boa-acção no presente.

10 comentários:

Ana disse...

As relações, sejam de amor ou amizade, devem ser "trabalhadas" continuamente. Não é porque alguém me tratou bem em determinada altura que eu vou aceitar tudo e mais alguma coisa desse mesmo alguém o resto da vida. Mesmo que possamos errar em determinados momentos, o respeito deve exigir-se sempre. Se não há respeito, não há amizade possível.

beijinhos

Aninhas disse...

Ana...

Ora nem mais. Não acrescento mais nada ao teu comentário. :)

Bjx

Rosie disse...

concordo.. surge uma altura que as pessoas já têm tanta confiança em nós que pensam que podem fazer o que bem lhes apetece connosco.. e isso já não é amizade..

Aninhas disse...

Rosie...

Sabes? Eu não sei se será confiança ou o revelar de uma faceta que tinha sido bem escondida.

Bjx

Suspiro disse...

E eu acho que fizeste muito bem! por muitas coisas boas que a pessoa nos tenha proporcionado há alturas em que o certo é desistir delas ;) beijocas

Aninhas disse...

Suspiro...

E fiquei tão mais leve quando desisti. :P

Bjx

Magdix disse...

Nesse aspecto sinto-me priveligiada pois quando ouço alguma coisa que não mereço respondo logo, seja com quem for! =)

Lia disse...

em tds as relações tem que haver entrega mas tb tem que se receber! Não é uma relação se for num só sentido!

Olhos Dourados disse...

Lá isso é verdade!

Aninhas disse...

Magdix...

Eu também gostava de ser assim. Sem papas na língua, mas às vezes retraio-me.

Bjx

****

Lia...

Lá está. Para dançar o tango são precisos 2.

Bjx

****

Olhos Dourados...

Pois...

Bjx