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segunda-feira, setembro 21, 2009

A vida é bela… Quando é vida!



Hoje vou falar, ou melhor, escrever sobre um assunto bastante sério: a eutanásia.

Nos tempos de faculdade, para uma cadeira de Psicologia, fiz, juntamente com uma colega, um trabalho sobre este tema, cujo título era “Eutanásia: Problema ou Solução”. Pesquisámos imenso na internet e em livros, de forma a entendermos melhor o que de facto é a eutanásia. Descobrirmos que há vários tipos da mesma e que muitas pessoas ainda recusam em falar sobre este tema.

Como achámos que este tema seria útil para esclarecer várias mentes, e proporcionaria um bom debate, para apresentar o nosso trabalho, resolvemos organizar um colóquio, aberto a todos os alunos da faculdade. Como convidados tivemos um Professor de História de Mentalidades, uma Directora do Serviço de Urgências de um hospital e um padre (não podia faltar não é?). Depois de uma breve introdução ao tema feito por mim e pela minha colega, demos a palavra aos convidados, que expuseram o seu ponto de vista e, de seguida, passámos ao debate em si.

Escusado será dizer que o padre era contra a eutanásia. Como todos os padres utilizou o argumento que diz que ninguém tem direito de tirar uma vida humana a não ser Deus. (Concordo com isto. Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém, mas pergunto… O que é vida? E já vão perceber o quero dizer com isto mais à frente)

A médica, e Directora das Urgências, cuja função é lidar com a morte todos os dias, tinha duas perspectivas. Como médica a sua obrigação é fazer de tudo para salvar uma pessoa, utilizar todos os métodos ao seus dispor, mas como ser humano, ela disse que não conseguiria viver encarcerada numa cama, dependente de outrem a 100%.

Eu confesso. Sou a favor da eutanásia. Não da eutanásia feita discriminadamente, sem controlo. Devia ser uma opção pessoal. Ou seja, devíamos ter connosco um género de testamento vital onde estejam instruções a ser seguidas caso aconteça algo de grave que nos impossibilite expressar. Por exemplo, imaginem uma acidentado… Alguém que não pode andar, falar, entender, cujo cérebro já não funcione, não tenha a capacidade de percepção que todos nós temos, e que damos como garantidas. Alguém que esteja dependente de outros para beber, para comer, para ir à casa de banho, para vestir, para tomar banho… Enfim, como se nós fossemos um boneco. Acham que conseguiriam viver assim?

Eu digo que não conseguia. Não conseguia ver a vida da minha família, da minha mãe, ficar focada só em mim. Não queria ver a minha mãe acabar-se, cansar-se a cuidar de mim. Não queria que essa fosse a vida dela, nem a minha, pois isso, na minha modesta opinião, não seria vida. Eu sei que cuidar de mim seria uma decisão tomada com todo o carinho e amor. Mas eu não seria feliz assim. Não seria feliz e ponto.

Compreendo que, para aqueles que têm familiares em estado vegetativo, ou numa condição de dependência de outrem, e que queiram morrer com dignidade, esta realidade não seja fácil. Não é fácil atender ao pedido “ajuda-me a morrer... deixa-me morrer”. Muito pelo contrário, deve ser muito difícil. É muito penoso. Ninguém quer deixar ir uma pessoa que se ama. Se o coração já sangra quando alguém que adoramos vai para outro mundo sem ser por vontade própria, nem imagino o que se deve sentir quando essa pessoa nos pede para morrer. Mas imaginem o estado de desespero e dor emocional que alguém deve sentir para querer por terminus à sua própria vida. (E aqui não falo se suicídio atenção… Falo do facto de não puder ter uma vida digna por motivos de saúde. Motivos graves.)

Para mim vida é vida quando temos consciência, quando temos alguma independência, quando podemos ser felizes, quando temos força para lutar.

Há milagres na medicina? Há. Mas quem nos garante que esse milagre vai acontecer?

domingo, agosto 09, 2009

O mapa da vida…



Depois de tantos posts colocados neste meu cantinho, às vezes faltam-me ideias de temas sobre os quais escrever. Hoje estava com um bloqueio desses. Queria escrever qualquer coisa, mas não me lembrava de nada interessante. (É que hoje apetecia-me escrever sobre algo sério.)

Mas, é quando menos esperamos que nos surgem as ideias. Esta surgiu de uma conversa que tive com a minha melhor amiga. O tema é: as decisões que tomamos e os caminhos que escolhemos ao longo da nossa vida.

Imaginem um mapa de uma cidade. Um mapa cheio de ruas, de avenidas, de jardins, de parques e de becos sem saída. Cada um de nós encontra-se num extremo desse emaranho de vias. Esse extremo é o inicio da nossa vida. No outro extremo está o terminus da mesma, mas para lá chegarmos temos que seguir o mapa, escolher que caminhos queremos seguir, em que jardins queremos parar… Enfim, temos que escolher o caminho que melhor se adequa a nós, temos que tomar decisões, as nossas próprias decisões. “Vou para a esquerda ou para a direita?”. É algo que só nós podemos decidir.

No entanto, surgem situações, ou pessoas, na nossa vida que influenciam as nossas escolhas, para o bem ou para o mal. Se for para o bem, tanto melhor, mas se for para o mal podemos dar por nós num beco sem saída e ficamos perdidos no mapa da nossa vida. E, às vezes, nem as melhores bússolas do mundo nos conseguem colocar no caminho certo de novo.

Quantos de nós já não pensaram “o que teria acontecido se eu tivesse feito aquela viagem?”, “o que teria acontecido se eu tivesse aceite aquele trabalho?”, “como estaria eu agora se ainda namorasse com aquele fulano/fulana?”, “que estaria a fazer se tivesse concorrido para esta ou aquela universidade?”, “que me teria acontecido se tivesse optado por outro caminho?”. Todos nós já pensámos sobre isto nalgum, ou nalguns, momentos da nossa vida.

Está na nossa natureza questionarmo-nos a nós mesmo. :-)

Mas, o facto de não termos ido para aquele lugar, ou não termos feito aquela coisa seja mau. O facto de os nossos planos mudarem, assim de repente, não é algo de horrível, pois isso pode dar-nos novas oportunidades de conhecermos coisas novas, pessoas novas, e talvez de encontrarmos a felicidade mais cedo do que estávamos à espera.

E vocês? Seguiram pelos caminhos que tencionavam ou tiveram que fazer um pequeno desvio em algum momento da vossa vida?

quinta-feira, maio 14, 2009

Pura poesia...



AMO-TE


Amo-te quando em largo, alto e profundo
Minha alma alcança quando, transportada
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do ser, a graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
à luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não podem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas,
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
e a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.

Elizabeth B. Browning



(Há amores assim, que transcendem o imaginável...)