terça-feira, setembro 15, 2009

É por estas coisas que fico reticente em mandar CV’s para câmaras municipais…



Isto era o que me apetecia fazer àquele júri... Ai se era!!!


Hoje fui a uma entrevista para um dos tais estágios Pepal nos quais me inscrevi (como falei aqui). Saí daqui as 6h da manhã, podre de sono diga-se, para chegar as 8h e esperar pela hora da entrevista que era as 11h.

Como disse cheguei às 8h da manhã. Como não conhecia o local a minha mãe acompanhou-me, não se desse o caso de me atrasar e não conseguir o expresso do meio-dia para voltar e fosse obrigada a ficar lá até às 19h sozinha.

Eu saí daqui a pensar que só tinha passado eu mais um rapaz para a entrevista. Imaginem o meu espanto quando vejo uma rapariga, aqui da minha zona e que foi da minha turma no 12º, a perguntar onde se devia dirigir para uma entrevista.

Cumprimentámo-nos e, com o intuito de satisfazer a minha curiosidade, perguntei:

Aninhas: Então, estás aqui? Mas eu pensava que só tinha passado eu mais um rapaz?
D.: Pois, foi um lapso da Câmara. Eles mandaram-me o mail com a data e respectiva hora da entrevista, mas quando fui ao site para ver a lista de candidatos admitidos e excluídos, como eles diziam para fazer no mail, não estava lá o meu nome. Telefonei para cá e perguntei o que se tinha passado. Foi então que eles me disseram que tinham feito mal o upload da lista. Fizeram da primeira página e da seguinte olha…

Oh, por amor de Deus… Ela ainda telefonou para lá. Imaginem que não tinha telefonado? Imaginem que ela tinha pensado “Mandaram o mail com a hora da entrevista mas, ao mesmo tempo, dizem-me que para ver as listas para ver os candidatos excluídos e admitidos. Como o meu nome não está nos admitidos quer dizer que fui excluída.”? Resultado: lá se ia a entrevista… Esta foi a primeira má impressão!

Pouco passava das 11h quando fui chamada para me apresentar ao júri e proceder à respectiva entrevista. Eram 3 júris, mas só um é que falava. O diálogo foi o seguinte:

Júri 1 (acho que era um Vereador): Bom-dia. Como se chama?
Aninhas: Chamo-me …
Júri 1: Vejo que é de Vouzela! Mas que se passou para termos muitas candidaturas de Vouzela?
Aninhas: (Não respondi. Achei a pergunta idiota, por isso só sorri)
Júri 1: Como já reparou passou a 1ª fase, ou seja, a avaliação curricular. Esta é a fase da entrevista de selecção onde pretendemos analisar alguns tópicos, como motivação, conhecimentos, etc. Por isso, as perguntas não são perguntas fechadas, pelo que pode responder à vontade.

(Esclareço já que a avaliação curricular consiste em analisar o nosso CV no que concerne ao percurso académico, formação profissional e experiência profissional, caso haja. Para isto é preciso ler o Curriculum… Digo eu!)

Aninhas: Está bem.
Júri 1: Muito bem… Então diga-me lá… Tem alguma experiência profissional, ou seja, já trabalhou neste âmbito… das autarquias locais portanto?

Ó que caraças… Então, fizeram uma avaliação curricular baseados no meu CV, tinham o dito ali mesmo à frente, e perguntam-me se já trabalhei em alguma autarquia local? Afinal leram o meu CV ou não leram, fizeram avaliação curricular ou não fizeram? Eu tenho bem explicado no meu Curriculum que, a única experiência que tenho, advém dos estágios que fiz. Um curricular, incluído no curso da faculdade, e outro no seguimento de uma formação profissional. Pensamento da Aninhas: “Nem olharam para os CV’s…”. Esta foi a segunda má impressão!

A entrevista continuou e as perguntas também… Uma desilusão de entrevista, diga-se de passagem. Inscrevi-me para um estágio de Comunicação Social e fizeram mais perguntas sobre Administração Pública. Se sabia os direitos e deveres de quem trabalhava num organismo estatal, se sabia os benefícios que isso traria, etc.… Em 6 perguntas, só me fez uma (duas vá) sobre a minha área propriamente dita: “Quais acham que vão ser as suas funções?” e… Pronto, foi só uma mesmo.

Mas a última pergunta é que foi bombástica mesmo:

Júri 1: Então agora imagine que há aqui um evento. Um lançamento de um livro por exemplo… e que eu lhe digo para enviar os convites via e-mail, mas que lhe digo para não enviar ao fulano X, Y e Z, pois são chatos e eu não estou para os aturar. Mandava ou não mandava?
Aninhas: Pergunta difícil… Mandava, pois se fossem personalidades importantes aqui da zona iam ficar sentidos e iriam gerar-se atritos e troca de galhardetes, ficando a Câmara com uma má imagem.
Júri 1: Pois, mas sabe que se mandasse estaria a desobedecer à ordem de um superior e poderia ser alvo de um processo disciplinar?
Aninhas: Pois não, não sabia.
Júri 1: E isso mostraria que estava mais preocupada com a oposição do que comigo… (e ria-se)
Aninhas: Isso é um ponto de vista. O que eu pretendia era evitar confusões e atritos que não valeriam a pena.
Júri 1: Não é UM ponto de vista, é O ponto de vista. Mas eu faço-lhe a pergunta de novo. Mandava ou não mandava?
Aninhas: Tentando, assim, evitar um processo disciplinar, a minha resposta é sim. Assim sendo, mandava.
Júri 1: Então imagine que, mesmo assim, o fulano X, Y e Z apareciam na mesma e vinham ter comigo a dizer “ah, então, mas que é isto? Não me mandaram nenhum convite…” e eu dizia “Ah, não sei de nada, não tenho a ver com isso… Vai falar com a Técnica Superior de Comunicação. Isso foi com ela.” Que fazia?
Aninhas: O mais provável seria dizer que ouve um problema informático e pedir desculpas em meu nome e em nome da Câmara.

Mal dei esta resposta arrependi-me… Então, o gajo dá-me uma ordem, à qual eu não posso desobedecer, mas depois em público não tinha coragem de admitir o que fez e não hesitava a pôr as culpas em cima de mim? Em cima da estagiária?

O que eu devia ter-lhe respondido era: “Então o senhor dá-me uma ordem, que eu tenho que cumprir para não ser alvo de nenhum processo e não correr o risco de perder o estágio, mas depois não assume as consequências das decisões que toma? Olhe, desculpe lá, mas isso mostra um carácter muito pobre em coragem… Depois admiram-se que as pessoas não confiem nos políticos.” Digam lá que não era o que ele merecia ouvir? Esta foi a terceira má impressão!

Tenho que passar a ser mais espevitada a dar as minhas respostas… O pior é que às vezes fico tão aparvalhada com o que me perguntam que, na altura, não me consigo lembrar de nada inteligente para dizer de tão atónita que fico (e acreditem que esta entrevista me deixou atónita…), só me lembrando de boas respostas mais tarde.

Por fim, quarta e última má impressão…

Enquanto ainda estava à espera para entrar para a entrevista chegou uma terceira rapariga, que andou na minha turma na faculdade. Trazia uma pasta com umas folhas que me pareceram ser artigos de leis sobre o funcionamento de organismos estatais (câmaras e assim). Eu, na minha santa inocência, pensei que se calhar numa outra entrevista, também para estágios Pepal, lhe teriam feitos perguntas do âmbito da administração pública e, achando que ali poderiam fazer igual, tinha-se preparado.

Qual quê? Era a única e primeira vez que se tinha inscrito para uma câmara. Se não tinha nenhuma experiência anterior similar, pergunto como sabia ela que eles iriam colocar perguntas sobre aquele tema. Isto, aliado ao facto de ela ser da zona, só me leva a uma conclusão: cunha. Alguém de dentro da Câmara, familiar ou amigo de algum familiar, lhe deu uma dica. Ela levava uma espécie de cábula por amor de Deus…

E pronto, digam lá se não é motivo para me passar da cabeça e mandá-los todos à M-E-R-D-A?

7 comentários:

Anne disse...

e é assim o mundo em que vivemos. é difícil pensar que temos de nos habituar. mas estiveste muito bem, digna ao contrario desse senhor que te entrevistou...

Pochinha disse...

Que. Horror. E nem são quatro más impressões levezinhas... Não! Bem. Ia-me passando quando li a 3ª "...não é UM ponto de vista, é O ponto de vista..." sinceramente. Mas esta gente não tem um mínimo de humildade, de boa educação?! E ainda por cima tem uma atitude 'preso por ter cão, preso por não ter', para além de não se responsabilizar pelos seus erros. Argh!

Martinha disse...

Realmente que raio de entrevista :S
é de ficar com os cabelos em pé!
mas pelo menos já sabes melhor como é, na próxima arrasas com eles! =)

Daniela disse...

É realmente muito injusto :/ E então as cunhas :S

Bem, só me resta desejar-te boa sorte, continua a tentar!

bjinho

Aninhas disse...

Anne...

Mas da próxima vez, se me surgirem perguntas destas, não vou ser tão boazinha...

Bjx

****

Pochinha...

É verdade. Ainda hoje estou meia parva... Olha que se pudesse voltar atrás no tempo, voltava para lhe dar a resposta que ele merecia...

Mas já fiquei de sobre aviso para a próxima vez.

Bjx

****

Martinha...

Se me faz perguntas destas da próxima vez é que nem dúvides que não vou ser assim tão boazinha.

Bjx

****

Daniela...

É injusto, mas é o país em que vivemos. Então em câmaras municipais de vilas é só disto que se vê...
Enfim...

Bjx

Olhos Dourados disse...

Se calhar não foram muito simpáticos, não. Mas enfim, ainda bem que não são todos assim.

Ah, e sobre a tal cábula, podia até nem ser cunha, normalmente em todas as câmaras fazem desse tipo de perguntas sobre a administração publica.

Aninhas disse...

Olhos Dourados...

A mim foi a primeira vez que o fizeram... E nos anúncios que vi quando pretendem fazê-lo avisam os candidatos que devem estudar determinado assunto...

Afinal eu não tirei o curso de Administração Pública, mas de Comunicação Social... Não faço ideia de qual é a orgânica de uma Câmara, que programas eles usam na administração, nem nada do género...

Enfim...

Bjx