A amizade é semelhante a um bom café: Uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primitivo sabor. (Kant)
Comparar a amizade com um café pode parecer-vos um pouco estranho, mas acreditem que escolhi esta frase por um bom motivo.
Uma vez, ouvi de uma suposta amiga minha, que sair à noite para tomar café é uma questão de amizade. Ouvir isto fez-me fazer uma careta e pensar: “mas que significado é que esta pessoa dá ao termo amizade?”, “será que a maior parte das pessoas pensa assim?”, “será que as pessoas pensam que amizade se resume ao facto de sairmos uns com outros para tomar um copo, termos 2 dedos de conversa de vez em quando?”.
Afinal de contas o que é um amigo? É alguém que sai connosco todos os dias ou, por outro lado, alguém que, apesar de não vermos frequentemente, transmite-nos a certeza de que quando precisarmos será o primeiro a aparecer? Quando se passa o limite de mero conhecido para amigo? O que despoleta essa mudança?
Eu não sou uma pessoa que tem muitos amigos. Tenho muitos conhecidos sim, pessoas a quem digo “Olá! Como estás? Há tanto tempo que não te vejo. Que tens feito?”. Pessoas com quem posso tomar um café de vez em quando e partilhar dois dedos de conversa, mas nada mais que isso. Pessoas que com quem travei conhecimento ao longo da minha vida, na primária, na secundária, na faculdade. Mas de todas elas ficaram poucos amigos.
Da primária, ficou uma, a R., que já não vejo desde que saí de Lisboa acerca de 18 anos, mas que, no entanto, considero uma grande amiga. Comunicávamos por carta, às vezes por telefone, perdemos o contacto por uns anos e depois retomámo-lo de novo. Ela está longe, mas sei que se precisar dela ela lá estará.
Da secundária, ficou a C., a minha prima querida. Alguém que é muito especial para mim. E se tenho saudades dos tempos do secundário, grande parte das mesmas devem-se ao facto de ela existir. As nossas peripécias, os nossos disparates, as idas às piscinas no Verão, os almoços em casa dela, as conversas até às tantas da madrugada, os códigos de linguagem que usávamos para falar de rapazes para eles não se aperceberem que era deles que falávamos, a viagem a Lorett… :-) Agora, também não a vejo muito. O trabalho dela é complicado, toma-lhe muito tempo. Mas adoro-a e sei que se precisar ela estará ao meu lado dando-me toda a força do mundo.
Da faculdade não sobrou ninguém, por incrível que pareça. Tinha um grupo de amigos razoável. Éramos 7, incluindo eu. Mas o grupo desfez-se. Não vale a pena contar o porquê da separação. Digamos apenas que foi necessário chegar à faculdade para conhecer crianças. E como eu estava a tirar Comunicação Social e não Educadora de Infância fartei-me de tanta criancice. Eram as mesmas pessoas para quem sair à noite para tomar café era sinónimo de amizade. Mas esperem, engano-vos… Da faculdade realmente saiu um grande amigo, o meu namorado, que me compreende e que está sempre ao meu lado.
E claro, não podia esquecer a Gabi :-p Uma amizade que nasceu de uma maneira muito pouco comum, mas que está a dar frutos.
Como vêem não tenho muitos amigos. Na verdade, contam-se pelos dedos de uma mão. No telemóvel tenho 119 contactos e desses só 4 considero amigos verdadeiros, aqueles que quero preservar para sempre ao pé de mim.