As pessoas que sobem na vida à custa dos outros. Pessoas que usam outras para terem boas notas, para fazerem os seus trabalhos, porque, simplesmente a elas não lhes apetece.
E eu, sempre fui muito parvinha em relação a estas coisas. A minha incapacidade de dizer um simples “não” já meu dores de cabeça muitas vezes ao longo da minha vida de estudante.
Na primária fazíamos composições sobre temas à nossa escolha e quem terminasse primeiro tinha “pontos” extra. Eu, feita burra, espera sempre pela minha “melhor amiga” e até lhe dava ideias para as composições dela. Uma vez, numa aula, ela foi falar com a professora por causa de uma composição e eu tive, de repente, uma ideia que ela podia explorar no texto dela. Cai, tropecei numa mochila ao ir atrás dela. Ela gozou comigo.
Na secundária, pessoas que raramente falavam comigo, nas alturas mais críticas vinham pedir-me ajuda, explicações, principalmente a Inglês. Não sou nenhum génio, mas sempre me esforcei por tirar boas notas.
Na faculdade, a história repetiu-se. Emprestava os meus apontamentos, os resumos que fazia para estudar para os exames, e quando dava conta, já mais de meia dúzia da turma os tinha. Passava noites a fazer trabalhos para as aulas e quando chegava à faculdade uma “amiga” minha pedia-mos e eu (burra!) emprestava. Ela só mudava umas palavras e ia imprimir. Trabalho feito. Mesma nota para as duas.
Trabalhos de grupo, era sempre eu que os começava e acabava. Horas a fio a corrigir a parte dela, a tentar fazer com que aquilo fizesse sentido. Sim, porque eu gosto de um trabalho que tenha cabeça, tronco e membros, que tenha uma sequência lógica. E por isso, gosto de os fazer com tempo, não na última da hora em cima do joelho. Quantas vezes não ouvi “tem calma, ainda temos tempo para começar esse trabalho”. Quando dava por mim era quase fim do semestre e ela nem um pouco preocupada. Claro, estava mal habituada. Sabia que eu já o tinha adiantado.
As apresentações em powerpoint. Era sempre eu que as fazia. Sempre! Uma vez ela só a viu no próprio dia da apresentação.
Depois, com o curso terminado, a tal “amizade eterna” tanto apregoada, terminou. Cada uma para seu lado.
