Este é um assunto do qual não se fala muito. Talvez por ser bastante polémico e delicado, as pessoas tenham receio de o abordar. Afinal de contas, falamos da vida de crianças.
Recentemente, vi nas notícias que o Elton John e o seu companheiro queriam adoptar uma criança. Um sonho que já povoava há muito o coração do parceiro do famoso cantor. Este último, não tinha acedido a tal, visto a sua vida ser extremamente ocupada com gravações, concertos e tours pelo mundo fora. No entanto, este ano ambos decidiram dar esse passo, mas, pelo que me apercebi, ou li nalgum lado, não lhes foi permitido adoptar.
Não sei o porquê desta decisão, mas se a base para tal foi o facto de serem um casal homossexual, digo já que não concordo. Sim, sou a favor da adopção por parte de casais homossexuais. Digam que sou moderna, que tenho a mente demasiado aberta, o que for, mas tenho as minhas razões para ser a favor.
Não escrevo estas linhas para fazer apologia à homossexualidade, nem para criticar a sociedade cristã. No entanto, como muitas pessoas, não acredito que a homossexualidade seja uma doença. É uma escolha, uma orientação sexual diferente. Ponto.
Já ouvi chamarem-lhes aberrações. Para mim, aberrações são aquelas pessoas que matam outras sem razão, homens que batem em mulheres, pessoas que batem em crianças, pedófilos e por aí adiante. Esses sim têm um grave problema.
Para quem não sabe, a homossexualidade não nasceu há 4 ou 5 anos. Não! Já remonta à época dos Romanos, onde tal não era visto com o desdém, com o preconceito, com “nojo”… Não! Era visto como algo de normal. Os homossexuais não eram apontados, renegados, enxovalhados nem postos de parte. Perguntam-se se também concordo com o casamento entre eles? Sim concordo, e não tenho pudor em admiti-lo. Se concordo que a essa união lhes chamem casamento? Porque não?
Diz a lei que casamento é a união entre duas pessoas cujo fim é procriar. Então, seguindo a lógica desse pensamento, se eu for estéril não me posso casar, se um senhor de 70 anos, apaixonado por uma senhora de 72, deseja casar-se com ela, também não o pode fazer.
Lamento muito, mas acho essa definição de casamento extremamente idiota. Quando duas pessoas se casam é porque se amam, porque querem partilhar uma vida juntas, com as suas alegrias e tristezas. Querem partilhar um mesmo caminho, surjam filhos durante o mesmo, ou não.
Mas já me estou a desviar do assunto…
Independentemente da nossa crença religiosa, devemos ser tolerantes com as escolhas que as pessoas fazem nas suas vidas, concordemos com elas ou não. Não temos o direito de julgar ninguém, nem de impedi-lo de usufruir dos seus direitos legais e humanos.
Na minha humilde opinião, e ela vale o que vale, prefiro ver uma criança a ser criada por um casal homossexual, que lhe proporcione um futuro e uma vida digna, do que vê-la na rua, nos passeios, nos semáforos a pedir dinheiro, prostituindo-se, ou até mesmo encerrada em orfanatos, sem conhecer o significado da palavra amor, família, protecção, educação. Em suma, sem perspectivas de vida.
Se há coisa que me faz espécie, é ver orfanatos cheios de crianças. Algumas têm a sorte de serem adoptadas, depois de uma imensa burocracia, mas outras lá permanecem, sozinhas. Negar a uma criança o direito de ser adoptada, de ser amada é, no meu ponto de vista, uma violência inconcebível.
Compreendo as reticências que se põem relativamente a este assunto, principalmente no que concerne à estabilidade emocional da criança, quando se aperceber que tem dois pais ou duas mães, em vez de um pai e uma mãe. E é por isso que defendo, que estas crianças deviam ser acompanhas por um psicólogo, para que este lhes possa ajudar a perceber a sua real situação. Que lhes explique que o amor é mais importante, que não tem que ter vergonha.
O amor não tem sexo, o amor não exige requisitos. Amor é dar a alguém o direito, que todo o ser humano tem desde que nasce, de ser feliz, de ter uma vida digna, de ter uma família e, principalmente, de ser reconhecido como cidadão, independentemente do sexo ou orientação sexual.