domingo, maio 31, 2009

O prazer do chocolate, sem nenhuma caloria!


Isto de navegar na internet sem ter nada para fazer tem as suas benesses, pois, eventualmente, acaba-se por descobrir coisas deveras interessantes. Não estava a pensar em colocar mais nenhum post hoje no blogue, mas não resisti ao encontrar esta novidade...

A descoberta do dia de hoje foi... Tchan tchan tchan tchan!!! O inalador de chocolate! "Que raio é isso?" estão a perguntar-se a vocês mesmos não é? Não se preocupem, pois eu também fiz essa mesma pergunta :-p

O professor David Edwards, da Universidade de Harvard, criou uma maneira de desfrutar de todo o sabor e prazer do chocolate, sem os efeitos indesejados que esta doce tentação provoca na saúde e, também, na balança. A solução, chamada de Le Whif, é um pequeno inalador com uma lata de "chocolate" acoplada.

"Ao longo dos séculos, temos comido cada vez menos em intervalos cada vez menores", diz Edwards. "Parece-me que o acto de comer está a ficar mais e mais próximo da respiração, então, com uma mistura de arte gastronômica e ciência aerosol, estamos a ajudar os hábitos alimentares a chegarem a sua conclusão lógica", disse o pesquisador.

O chocolate inalável vem em quatro sabores: chocolate, chocolate com menta, chocolate com framboesa e chocolate com manga. Os tubos de Le Whif estarão à venda a partir de 29 de abril na loja Laboshop, em Paris, por 3 euros.

Não é muito caro, mas não faço ideia de quanto tempo dura cada frasquinho. É uma boa solução para quem não consegue, de todo, resistir aos chocolates, que são uma tentação. E já dizia o outro... "Consigo resistir a tudo menos à tentação".

Eu cá posso experimentar, mas o prazer de sentir o chocolate a derreter-se na boca é indiscritível e insubstituível.

O Grito de Edvard Munch...


Hoje vou falar de Arte. Não de Arte em geral, mas de algo muito específico, mais propriamente sobre um quadro que me atrai bastante: O Grito.

O Grito (no original Skrik) é uma pintura do norueguês Edvard Munch, datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-sol. O Grito é considerado uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci.

A fonte de inspiração de O Grito pode ser encontrada na vida pessoal do próprio Munch. Um homem, educado por um pai controlador, que assistiu em criança à morte da mãe e de uma irmã. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar à pintura, Munch cortou relações com o pai e integrou o círculo artístico de Oslo. No entanto, essa escolha não lhe trouxe a paz desejada, bem pelo contrário. Munch acabou por se envolver com uma mulher casada que só lhe trouxe mágoa e desespero e, no início da década de 1890, a Laura, a sua irmã favorita, foi diagnosticada com doença bipolar, tendo sido internada num hospital psiquiátrico. O seu estado de espírito está bem patente nas linhas que escreveu no seu diário:

“Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre o muro – havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fiorde e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza.”

Munch imortalizou esta impressão no quadro O Desespero, que representa um homem de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo semelhante à da sua experiência pessoal. Não contente com o resultado, Munch tentou uma nova composição, desta vez com uma figura mais andrógina, de frente para o observador e numa atitude menos contemplativa e mais desesperada. Tal como o seu precursor, esta primeira versão de O Grito recebeu o nome de O Desespero. Segundo um trabalho de Robert Rosenblum (um especialista da obra do pintor), a fonte de inspiração para esta figura humana estilizada terá sido uma múmia peruana que Munch viu na exposição universal de Paris em 1887.

O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, intitulado Amor. A ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o encantamento inicial a uma rotura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta em sensações de angústia.

A recepção crítica foi duvidosa e o conjunto Amor foi classificado como arte demente (mais tarde, o regime nazi classificou Munch como artista degenerado e retirou toda a sua obra em exposição na Alemanha). Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reacção do público, no entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se motivo de sensação e falatório. O nome O Grito surge pela primeira vez nas críticas e reportagens da época.

Munch acabou por pintar quatro versões de O Grito, para substituir as cópias que ia vendendo. O original de 1893, numa técnica de óleo e pastel sobre cartão, encontra-se exposto na Galeria Nacional de Oslo. A segunda cópia, em têmpera sobre cartão, foi exibida no Munch Museum de Oslo até ao seu roubo em 2004. A terceira pertence ao mesmo museu e a quarta é propriedade de um particular. Para responder ao interesse do público, Munch realizou também uma litografia (1900) que permitiu a impressão do quadro em revistas e jornais.

Interpretações do quadro

Ao fundo vemos um céu, de cores quentes, em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo, onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade. A figura humana, em si, também apresenta cores frias, como o azul, como a cor da angústia e da dor. A personagem encontra-se sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura. Quase tudo se encontra deformado, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo.

A dor do grito está presente não só na personagem, mas também em toda a paisagem, ou seja, quando alguém se encontra num estado permanente de sofrimento todo o ambiente se altera, todo o ambiente reflecte o desespero que habita no interior. Talvez seja por esta razão que muitas pessoas se identificam com esta obra.

Eu pessoalmente identifico-me… Às vezes também me apetece gritar ao mundo!!!

sábado, maio 30, 2009

Joana d'Arc, a Donzela de Orléans...


Hoje é dia 30 de Maio do ano de 2009. Como não tinha mais nada para fazer resolvi vir até à internet e “navegar” um pouco…. Pesquisar nem sei muito bem o quê!

Depois de pesquisar coisas sem grande interesse resolvi tentar descobrir o que aconteceu de importante na História neste mesmo dia, 30 de Maio. Muitas coisas acontecerem… muitas personalidades importantes nasceram e outras tantas faleceram, e uma delas foi Joana d’Arc, conhecida como a Donzela de Orléans. Se salientar que este ano se comemora o Centenário da sua Beatificação.

Um pouco de história…

Joana d'Arc nasceu em Domrémy, região da Loraine (França) em 1412, sendo uma dos cinco filhos de Jacques d'Arc e Isabelle Romée. Era então chamada de Jeannette, diminutivo de Jeanne.

Como era normal na época, Joana ajuda nos trabalhos de casa e nos do campo, nomeadamente com o gado. Não sabia ler nem escrever. Crente e séria, Joana era uma criança como as outras: brincava, cantava, dançava, sorria e chorava. Até ao fim foi uma pessoa emotiva e ponderada.

Como os outros habitantes do campo, ouve falar do estado calamitoso em que se encontra o reinado, sabe da dureza da ocupação pelos ingleses e dos avisos das
sirenes quando os inimigos se aproximam, o que indica que se deve procurar refúgio. Nessa altura a França está dividida em três facções: Armagnac - França livre; Bourguignons e Ingleses. Os Bourguignons são aliados dos Ingleses. Domrémy está sob o domínio dos invasores, portanto não faz parte da dita França livre.

É mais ou menos aos treze anos de idade que Joana d'Arc ouve uma voz (que ela dirá mais tarde ser a de S. Miguel) que lhe fala da desgraça que há em França e a incentiva a ir ajudar o Rei de França, Carlos VII. Este apelo é repetido mais duas ou três vezes nessa semana. Joana mantém segredo e responde fazendo voto de virgindade, sinal de consagração a Deus, e de seguida autonomiza-se de "A Donzela" (La Pucelle). Ela dirá mais tarde: "A voz dizia-me que iria a França e que eu não podia demorar mais onde estava, a voz dizia-me que eu levantaria o cerco à cidade de Orléans. A voz também me disse que fosse ter com Robert de Baudricourt na fortaleza de Vaucouleurs pois ele me daria pessoas para me acompanharem."

São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida, serão então companhias regulares de Joana d'Arc.

Com o pretexto de ir ajudar uma prima, em Maio de 1428, Joana vai ter com Baudricourt e é repelida. Ela volta seis meses mais tarde e diz ao capitão Baudricourt o seguinte: "Você não ouviu dizer que foi profetizado que a França seria perdida por uma mulher e restaurada por uma virgem da zona de Loraine?". Vencido pela obstinação de Joana, o capitão dá-lhe uma escolta para a acompanhar a Chinon, onde se encontra o Rei. Dois homens oferecem-se para a acompanhar e o grupo completa-se com um mensageiro real.

Os habitantes de Vaucouleurs aderem à causa e oferecem a Joana um cavalo e roupa de homem para que ela possa cavalgar. O grupo parte a 13 de Fevereiro de 1429, Joana tem então 17 anos.

A partida de Vaucouleurs em direcção a Chinon onde reside o Rei, faz-se de noite num país em parte controlado pelos Bourguignons. Antes de chegar a Chinon, Joana dita uma carta ao Rei onde lhe anuncia a sua chegada. Depois de debater a questão com os seus conselheiros Carlos VII (o delfim) recebe a Donzela na sala grande do Castelo de Chinon.

Ela vai direito ao Rei que estava disfarçado no meio dos nobres e fidalgos e divulga-lhe o essencial da sua mensagem: "Gentil delfim, tenho nome Joana a Donzela, e manda o Rei dos Céus através de mim que você será consagrado e coroado na vila de Reims e você será tenente do Rei dos Céus que é o Rei de França". Após questões que o Rei lhe coloca acrescenta: "Digo-te da parte de Deus que és o verdadeiro herdeiro de França e filho de Rei e Ele me enviou a ti para te conduzir a Reims para que recebas a tua coroação e consagração, se o quiseres."

Impressionado com o que Joana lhe divulga, o Rei decide que ela seja examinada por eclesiásticos em Poitiers. Foi concluído, após os interrogatórios e exames, que não havia nela nada de mal e nada contrário à fé católica. Os mestres e doutores que a examinaram só encontraram o bem, humildade, virgindade, devoção, honestidade e simplicidade.

Enquanto o Rei prepara ajuda para levar a Orléans, Joana vai a Tours onde lhe é
feita uma armadura e um estandarte. Ela própria dá instruções para o estandarte, com uma imagem representando o Salvador (Cristo) sentado nas nuvens do céu rodeado de dois anjos, um deles segurando a flor de Lys.

Muitos combates são levados a cabo para libertar a França do domínio inglês. Uma das suas últimas actividades militares realizou-se em Saint-Pierre-le-Moûtier a 2 de Novembro de 1429.

Com Joana reduzida à inacção, o Rei a recompensa pelos seus feitos enobrecendo a sua família e dispensando de todos os impostos os habitantes da sua aldeia.

As negociações continuam entre o Rei e o Duque de Bourgogne. Este último entra nas vilas de l'Oise, entre as quais Compiègne que recusa a sua autoridade. Joana decide então de retomar as hostilidades. A 16 de Maio de 1430, o Duque de Bourgogne faz o cerco em frente a Compiègne. A 22 de Maio, Joana entra em Compiègne, de noite, sem o que o inimigo o saiba, escoltada por mercenários italianos e tropas reais comandadas por Xaintrailles de La Hire. A 23 de Maio pela manhã, durante uma saída, Joana é capturada pelos Bourguignons.

Durante sete meses, de 23 de Maio de 1430 a 23 de Dezembro, Joana encontra-se presa no Castelo de Beaulieu, em Vermandois, e no Castelo de Beaurevoir, perto de Saint-Quentin. A 21 de Novembro, em Arras, ela é entregue a Henry VI, Rei de França e de Inglaterra, do qual o Duque de Bourgogne é vassalo. A soma de 10000 écus foi quanto Henry VI pagou ao Duque de Bourgogne pela prisioneira. Até aí nunca um Rei tinha pago tanto a um vassalo pela compra de um prisioneiro.

O seu resgate é negociado por Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, e antigo reitor da Universidade de Paris, encarregado de a julgar da acusação de heresia. A 23 de Dezembro Joana é fechada no castelo de Bouvreuil, em Rouen. Como prisioneira de guerra, é guardada por ingleses numa prisão laica. Ao mesmo tempo é-lhe instaurado um processo em matéria de fé.

A 30 de Maio de 1431, com 19 anos, Joana d'Arc é declarada culpada no processo de condenação e é queimada viva em Rouen.

Reza a lenda que, após ser queimada viva, o seu coração sobreviveu às chamas e continuou a bater por uns minutos.

Bonnie & Clyde


A Polícia federal americana divulgou, por estes dias, mil páginas de documentos sobre a operação que pôs fim a um ano de fuga do mais famoso casal de fora-da-lei que, ainda hoje, povoa o imaginário de muitas pessoas no mundo.

A imagem de uma mulher frágil a apontar uma grande espingarda a um homem de chapéu, divulgada pela polícia americana na Primavera de 1933, fez de Bonnie Parker e Clyde Barrow o mais famoso casal de fora-da-lei da história dos EUA.

Agora, 75 anos depois da emboscada que pôs fim às suas vidas, e de uma fuga de mais de um ano, o FBI revelou quase mil novas páginas de documentos (inclusive recortes de imprensa e fotografias como a do carro com as marcas de balas) com pormenores sobre a cooperação entre polícias na operação que terminou a 23 de Maio de 1934.

"Estas páginas descrevem o envolvimento do Bureau na perseguição a Bonnie e Clyde", pode ler-se no site do Federal Bureau of Investigation que assinala o Ano do Bandido. A informação foi compilada pela delegação de Dallas, no Texas, uma das mais importantes na operação policial que levou à morte do casal de assaltantes depoi
s de uma caça ao homem através de oito estados americanos. Foi necessário um forte aparato policial e uma cortina de balas para parar o Sedan no qual seguiam Bonnie e Clyde.

Assim terminava uma história que, ainda hoje, faz parte do imaginário americano. E como prova disso está previsto o regresso ao cinema da dupla em A História de Bonnie e Clyde, com estreia marcada nos cinemas em 2010.

No entanto, a realidade é menos glamourosa do que a ficção.

Bonnie Parker nasceu no Texas em Outubro de 1910. Aos quatro anos perde o pai e aos 15 apaixona-se de tal forma que, manda tatuar na coxa o nome de Roy Thornton. Devia ter esperado mais um pouco, pois um ano depois do c
asamento o marido abandonou-a. Quando conheceu o belo Clyde Barrow, na casa de um amigo comum, em 1930, a jovem Bonnie já tinha atrás dela uma longa história de sofrimento.

Só e deprimida, não resistiu ao charme deste filho de um agricultor texano, que aos 12 anos deixou a escola e cedo começou a ter problemas com a justiça. Juntos embarcaram numa aventura que só tinha um final possível: a morte. Foi Bonnie quem levou a Clyde a faca com que este se evadiu a primeira vez da prisão. Depois disso, ambos foram trocando de parceiros ao longo de um ano de fuga que os levou por oito estados. Para trás, deixaram vários bancos vazios e uns quantos cadáveres, sobretudo de polícias. Até 23 de Maio de 1934.

sexta-feira, maio 29, 2009

Voem juntos... Mas jamais atados!!!


Conta uma velha lenda dos indios Sioux,que uma vez chegaram até à tenda do velho bruxo da tribo,de mão dada,Touro Bravo, o mais valente e honrado dos jovens guerreiros, e Nuvem Azul, uma das mais formosas mulheres da tribo...

- Amamo-nos... - começou o jovem.
- E vamo-nos casar... - disse ela, e queremo-nos tanto que temos medo... queremos um feitiço,um conjuro, ou um talismã... algo que nos garanta que podemos estar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrar a Morte.
- Por favor... - repetiram - Há algo que possamos fazer?

O velho olhou-os e emocionou-se ao vê-los tão jovens...tão enamorados...e tão ansiosos esperando as suas palavras.

- Há algo... - disse o velho - mas não sei! É uma tarefa muito dificil e sacrificada... Nuvem Azul... - disse o bruxo - Vês o monte ao norte da nossa aldeia?Deves escalá-lo só e sem armas para além de uma rede e tuas mãos... deverás caçar o falcão mais formoso e vigoroso do monte... se o apanhares, deves trazê-lo aqui com vida ao 3º dia após a lua cheia...compreendes-te? E tu,Touro Bravo... - continuou o bruxo - Deverás escalar a montanha do trono... quando cheguares lá a cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e só com tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la sem a ferir e trazê-la ante mim,viva...no mesmo dia em que virá Nuvem Azul... Saiam agora!

Os jovens abraçaram-se com ternura e logo partiram para cumprir a missão encomendada...ela para norte e ele para sul.No dia estabelecido frente á tenda do bruxo,os jovens esperavam com as bolsas que continham as aves solicitadas. O velho pediu-lhes que com muito cuidado,as tirassem das bolsas..eram exemplares verdadeiramente formosos...

- E agora que faremos? - perguntou o jovem - Matamo-los e bebemos a honra de seu sangue?
- Não! - disse o velho.
- Cozinhamo-los e comeremos o valor de sua carne? -propôs a jovem.
- Não! - repetiu o velho - Farão o que vos digo: segurem as aves e atem-nas entre si pelas patas com estas tiras de couro..quando estejam atadas, soltem-nas e que voem livres.

O guerreiro e a jovem fizeram o que se lhes pedia e soltaram os pássaros...a águia e o falcão tentaram levantar voo mas só conseguiram rebolar pelo solo. Uns minutos depois,irritados por sua incapacidade, as aves começaram a picar-se e a ferir-se...

Este é o conjuro. - disse o bruxo - Jamais esqueçam o que viram. Vocês são como a águia e o falcão. Se se atam um ao outro, ainda que o façam por amor, não só viverão arrastando-se, como para além disso, mais tarde ou mais cedo, começarão a ferir-se um ao outro... Se querem que o vosso amor perdure..."VOEM JUNTOS...MAS JAMAIS ATADOS"

quinta-feira, maio 21, 2009

Porque para ser feliz basto Eu!


Já há algum tempo li este livro e, devo confessar, que foi um livro que me marcou muito. Tanto que transcrevi muitas partes e textos que ele contém.


Não é um típico de Nicholas Sparks. Na verdade foge um pouco àqueles que estamos habituados a ler deste autor, mas nem por isso é menos belo.


Aqui fica um texto que eu gosto especialmente e que me dá que pensar quando estou um pouco mais em baixo.


"O primeiro graveto necessário para atear a fogueira da felicidade

Muito antes de o sol surgir no céu e até mesmo antes de ter sido criado o seio da Mãe Terra no qual vivemos, nunca existiu ninguém exactamente igual a mim. Ninguém, no passado, teve exactamente as mesmas características que eu, a minha personalidade ou as minhas aptidões. Nunca ninguém cresceu ao mesmo ritmo, aprendeu as mesmas coisas ou reflectiu sobre a vida do mesmo modo que eu. Nem existe nenhuma hipótese de que alguém venha a ter uma preocupação igual à minha porque não pode haver uma reprodução minha no futuro. O meu lugar na história está assegurado porque ninguém será como eu.

Sou o ser mais especial jamais criado.

Por que razão sou eu tão especial? Porque possuo características que mais ninguém terá. Sou único neste mundo, e nenhum guerreiro ou chefe ou qualquer homem comum poderá alguma vez reclamar aquilo que sou. Apenas eu tenho os meus pensamentos e esperanças. Apenas eu possuo o meu ritmo cardíaco, a minha energia e o meu amor à vida. Poderá alguém reclamar os meus sonhos? Poderá alguém amar como eu amo? Haverá alguém que veja exactamente a mesma cor que eu vejo quando olho para uma flor em botão? Já alguém antes de mim ouviu o uivo do coiote exactamente com a mesma tonalidade? Não, sei que estas coisas me pertencem, a mim, exclusivamente. Como posso eu não estar feliz com estes pensamentos no meu coração e na minha alma?

Sou o ser mais especial jamais criado.

E por que sou o ser mais especial jamais criado, sou valioso. Como um diamante, sou raro e belo. Valho mais do que tudo no mundo. De que vale o dinheiro comparado comigo? Dinheiro nenhum poderia alguma vez comprar os meus pensamentos. De que vale a fama comparada comigo? Nenhuma espécie de fama me pode tornar mais especial. De que vale qualquer bem material? Nenhum deles pode ser trocado por mim. A minha felicidade está assegurada pela consciência destas verdades.

Sou o ser mais especial jamais criado.

Sei que não devo desperdiçar a minha vida. E estou aqui com um objectivo. Estou aqui para crescer em sabedoria. Estou aqui para amar todas as coisas. Como vou realizar estes projectos? Posso começar por ser feliz. Posso ser feliz se tiver consciência de que sou o ser mais especial jamais criado. Se sou assim tão especial, posso, seguramente, sorrir com orgulho pela pessoa que sou. Posso ser feliz, serei feliz… sou feliz.

Sou feliz por que sou o ser mais especial jamais criado.”

segunda-feira, maio 18, 2009

O Anjo que rege a minha vida...

NegritoPara quem acredita, ou simplesmente, tem curiosidade...


Se há coisa que me fascina são assuntos ligados com mitos, lendas, mistérios...

E, recentemente, descobri um site muito interessante que reúne todos estes assuntos.

Neste mesmo site descobri que podia saber qual o Anjo que rege a minha vida através da minha data de nascimento.

Pois bem, ele pertence à categoria dos Serafins.

O príncipe dos Serafins é o Anjo Metatron. Ele governa globalmente todas as forças da criação em benefício dos habitantes da Terra. Representa o poder da abundância e a supremacia.São os Anjos mais próximos de Deus. São os mais sábios e responsáveis. Possuem seis asas. Eles circundam o trono sagrado e celebram por todos através do coração. Dizem que as canções dos Serafins são cantos de criação e celebração. A música das esferas. São os Anjos do amor, da luz e do fogo.As pessoas regidas pelos Serafins são pessoas maduras, sábias, tem forte ligação com Deus. São fortes, nobres, pacientes e de maneiras agradáveis. São intuitivos e tem poderes para o trabalho de cura com as mãos. Adoram conhecer o futuro. Adoram a mãe.

Os Serafins são oito: Vehuiah, Jeliel, Sitael, Elemiah, Mahasiah, Lelahel, Achaiah e Cahethel.

Destes 8 aquele que me protege é o 6º Génio, Lalahel.

Este Anjo é invocado contra as pessoas maldosas e para adquirir iluminação na realização de actos de cura. Ele domina as artes, a fortuna, as ciências e o amor. Quem nasce sob esta influência tem muitas forças para cortar o mal. É dotado de grande idealismo e equilíbrio.

Está sempre pronto a ajudar os que necessitam, chegando mesmo a fazer sacrifícios, agindo de forma desinteressada. É portador de uma jóia rara chamada luz anterior. A palavra "impossível" não faz parte do seu dicionário. Tem facilidade em captar mensagens e psicografá-las, entrando em sintonia com o mundo dos mortos ou mesmo de forma inconsciente mexer objectos.

O desconhecido atrai-o e fascina-o. Trabalhará para ter seu nome honrado e conhecido por todos e usará seus conhecimentos para grandes causas, principalmente para melhorar o nível de vida, de consciência e de cultura aos semelhantes. Por ser eternamente amoroso e apaixonante, as pessoas estarão sempre colocando-o num pedestal.


Bem, algumas coisas que li de facto encaixam na minha personalidade.

Quem tiver curiosidade é só ir ao site Mistérios Antigos...

sábado, maio 16, 2009

Palavra de ordem... Desilusão!


Acho que depois de colocar este título no post não era necessário escrever mais nada, pois transmite o sentimento de muitos (inclusive o meu) em relação a esta adaptação cinematográfica do melhor (na minha perspectiva) livro de Dan Brown.

Baseado no livro "Anjos e Demónios", este filme descreve os acontecimentos passados na vida de Langdon antes dos acontecimentos que são mostrados em "O Código Da Vinci". Langdon tenta impedir que uma antiga sociedade, secreta, os Illuminatti, destrua a Cidade do Vaticano após o estranho assassinato de um físico na Suíça.

Ontem fui ver o filme. Estava muito entusiasmada, pois desde que li o livro sabia que daria um filme excelente. A expectativa era muita, mas saí defraudada. O filme está bom (para quem não leu o livro e não fazia ideia da história), mas não deixa de ser uma desilusão muito grande para quem o leu, tendo em conta que o filme foi, principalmente, feito para quem o fez.

O livro está a roçar a perfeição. O melhor que eu já li, a seguir ao Código Da Vinci. Por sua vez, o filme deixa um pouco, senão muito, a desejar, tanto pela história, que foi, em grande parte, alterada, bem como pela falta de emoção que o filme transmite. A personagem interpretada por Ewan Mcgregor podia ter causado um impacto muito maior, se a história não tivesse sofrido a alteração que sofreu.

Então a personagem o Camarelengo é descoberto mata-se e pronto? Toda a emoção e drama do final do filme foi retirado quando decidiram tirar a principal razão da sua morte, o facto de ser filho do Papa que morreu.
E a cena em que ele entra dentro do helicóptero e voa para o céu para impedir que a anti-matéria expluda e destrua toda a praça de S. Pedro? Que lógica tem ver-se o pára-quedas dele antes de a bomba explodir? Não teria mais impacto se ele aparecesse somente depois disso, para que a sua salvação parecesse um milagre, tal como no livro?

Além disso foram retiradas personagens que, a meu ver, eram importantes. O director do CERN por exemplo. O filme começa no CERN e de repente já estão todos no Vaticano, no gabinete da Guarda Suíça. Como é foram todos lá parar? Não se estabeleceu uma ponte entre o CERN e o assassinato do Silvano e o Vaticano.
E o símbolo iluminatti que aparece numa folha de papel assim sem mais nem menos? Não era suposto estar gravado a fogo no corpo de Silvano?
E, pensando bem, que assassino era aquele que mais parecia um empresário? Não há luta entre ele e Langdon, nada! O homem mata polícias à frente de um café mas, ninguém nota. Desce uma parede com imensos carros a passar e pessoas na rua mas passa totalmente despercebido.

E agora algo um pouco estranho… Quando Langdon conversa com o homem que foi enviado pelo Vaticano no seu escritório em Harvard, dá a entender que o primeiro não é bem visto no seio da Igreja devido a descobertas que fez no passado, o que nos remete para o que ele descobriu no filme Código Da Vinci. Mas como é isto possível se a história de Anjos e Demónios se passa antes? Se não se tratava das descobertas relacionadas com Jesus, então de que se tratava? Ficamos na ignorância.

Em suma, quem leu o livro fica extremamente desiludido. Nem o filme O Código Da Vinci se afastou tanto do livro.

Apesar disso o filme consegue transmitir uma mensagem importante. A ciência e a igreja estão juntas na descoberta da vida e do universo, mas cada uma usa uma linguagem diferente, o que não quer dizer que uma ou outra estejam erradas.

quinta-feira, maio 14, 2009

Pura poesia...



AMO-TE


Amo-te quando em largo, alto e profundo
Minha alma alcança quando, transportada
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do ser, a graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
à luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não podem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas,
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
e a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.

Elizabeth B. Browning



(Há amores assim, que transcendem o imaginável...)



terça-feira, maio 12, 2009

Divino ou Humano?


Bem, hoje vou escrever sobre um assunto um pouco (para não dizer muito) polémico.

Como muitos sabem, esta semana estreia nas salas de cinema a nova adaptação de um dos mais vendidos livros (logo a seguir a Código Da Vinci) do autor Dan Brown, Anjos e Demónios. Não será um filme tão polémico como o primeiro, é claro, mas sempre me deu uma oportunidade de falar sobre um assunto que me desperta muito interesse: a divindade de Jesus.

Houve aqueles que leram o livro, houve aqueles que viram o filme, houve aqueles que fizeram ambas as coisas. O livro é muito melhor que o filme (como de costume neste género de adaptações cinematográficas), mas não é por isso que a história deixa de nos surpreender, e fazer pensar.

Como deveis saber, o romance escrito por Dan Brown, e depois adaptado para cinema, coloca em causa a divindade e a história de Jesus Cristo tal e qual como a conhecemos.

Passemos ao resumo da obra para que podeis entender melhor…

Um assassinato dentro do Museu do Louvre, em Paris, traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo, protegido por uma sociedade secreta, que remonta aos tempos de Jesus Cristo. A vítima, o curador do museu, Jacques Sounière, seria o líder desta antiga sociedade secreta designada por Priorado de Sião, que, segundo o mesmo romance, já teve como membros pessoas como Sir Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e, é claro, Leonardo Da Vinci. Momentos antes de morrer o curador deixa uma pista cifrada na cena do crime, acreditando que, desta forma, apenas sua neta Sophie Neveau, criptógrafa, poderia decifrar. Mas ela falha e é aí que entra Robert Langdon, um famoso professor de simbologia de Harvard. Devido às circunstâncias ambos acabam por ser considerados suspeito do crime. Assim, agora em fuga, precisam de encontrar a verdade oculta nas obras de Da Vinci. Enquanto percorrem as ruas de Paris e Londres, tentam decifrar um complicado quebra-cabeças que pode levá-los a um segredo milenar que envolve a Igreja Católica, Jesus Cristo e Maria Madalena. Sempre alguns passos à frente da polícia e do assassino, descobrem novas mensagens e desvendam alguns dos maiores mistérios do cristianismo e da arte de Da Vinci, que vão deste o sorriso enigmático da Mona Lisa ao significado do Santo Graal. Para tentar decifrar os mistérios que encontram, os dois “detectives” recorrem a um velho amigo de Robert Langdon, Sir Leigh Teabing, historiador britânico e especialista no que concerne aos do Santo Graal. Na casa desta figura fantástica Sophie Neveau fica a conhecer a teoria central de toda a trama: Jesus Cristo teria sido um descendente da família real judaica (o que realmente é verdade) e que seria um homem comum. Ter-se-ia casado com Maria Madalena, que na verdade nunca foi prostituta (isso também provavelmente é verdade) e teria tido uma filha com ela. Maria Madalena teria fugido para França quando Jesus foi executado, dando lá à luz a uma menina, Sara. Esta criança, por sua vez, terá dado origem aos Merovíngios, a primeira dinastia de reis de França. O Priorado de Sião seria, então, uma sociedade secreta destinada a proteger os descendentes de Jesus, pois estes eram os portadores do Santo Graal (Sangue Real). No final do livro, após muitas peripécias e revelações, ficamos a saber que o último descendente vivo de Cristo é, afinal, a própria Sophie Neveau. E, adivinhem, o assassino não era nada mais nada menos que o grande amigo de Robert Langdon, Sir Leigh Teabing, que arquitectou toda a trama, pois estava ansioso por revelar o segredo a qualquer custo!

O Código Da Vinci causou imensa polémica ao questionar a divindade de Jesus Cristo, ao afirmar que este foi casado e que gerou descendência. Segundo esta obra, o Santo Graal, o cálice sagrado geralmente associado a uma taça da qual os apóstolos beberam vinho na noite da Última Ceia, é na verdade uma referência ao útero de Maria Madalena e ao sangue dos supostos descendentes de Cristo.

Bem, Dan Brown não foi o primeiro a escrever sobre este assunto, mas foi de certeza aquele que ficou mais conhecido pelo facto e que gerou mais reboliço no seio da Igreja Católica.

Será tudo isto verdade? Ou serão invenções?
Acho que cada um decide em que acreditar! Eu, pessoalmente, não coloco esta teoria de lado. Nunca conheceremos a verdadeira vida de Cristo (a não ser que alguém invente uma máquina do tempo e possamos vê-la nós mesmos). Resta-nos somente a Bíblia, mas esta não foi enviada por fax do Céu. É, somente, uma compilação de testemunhos e, se a consultarmos, vemos que existem muitas lacunas (e não existe nada que nos diga que Madalena era uma prostituta). A Igreja escolheu 4 Evangelhos do Novo Testamento, mas havia outras histórias que se perderam no tempo.

Todas excepto uma que ficou escondida no Egipto até há cerca de 50 anos atrás, os pergaminhos de Nag Hammadi, que contêm uma versão alternativa sobre Jesus e Madalena. Os manuscritos têm nomes como “O Evangelho de Tomás”, “O Evangelho da Verdade”, “O Evangelho de Felipe” e um fragmento de “O Evangelho de Maria Madalena”.

Se não me falha a memória vi um documentário sobre a descoberta e decifração destes manuscritos e, realmente, a história que contam é deveras diferente daquela que conhecemos.

Bem, cada um acredita na história que quiser. Mas pergunto… porque é que a divindade de Jesus é tão importante? Se não o for, isso retira algum mérito aos sacrifícios pelos quais passou? Tira algum valor aos ideais que apregoou? Não, não tira! Acho que tal não destruiria a fé, talvez a renovasse. Pois, se um ser humano foi capaz de passar por tantas provações e sofrimento por amor ao próximo, ficando na história como um exemplo de coragem, amor, força e esperança, mudando o mundo, então, cada um de nós também é capaz de o fazer…

Afinal, talvez o humano seja divino!

segunda-feira, maio 11, 2009

Lendas da minha terra...

Lenda da Caninha Verde

Em tempos que já lá vão, nos primeiros tempos da Reconquista, vivia num palácio em Fataunços, perto de Vouzela, o nobre guerreiro El Haturra, descendente do famoso chefe mouro Cid Alafum.

El Haturra era velho e feio e nunca era visto sem a sua bengala, uma velha cana que vinha sendo transmitida na sua família, de geração em geração, entregue ao seu novo possuidor com umas palavras misteriosas... Ora, o facto de El Haturra se fazer acompanhar por aquela cana negra e ressequida era objecto de troça de todos, a tal ponto que um seu amigo, o jovem português Álvaro o aconselhou a desfazer-se dela.

El Haturra confidenciou-lhe então que a vara tinha magia e que se um dia chegasse a ficar verde era o sinal sagrado do profético encontro de dois primos descendentes de Cid Alafum. Nesse dia esperado, as terras e os tesouros do antigo chefe mouro voltariam à posse da família e as formosas mouras seriam desencantadas. Uma condição essencial era que ambos os descendentes professassem a religião de Alá.

Um dia, passeavam El Haturra e o seu amigo Álvaro pelo campo quando viram uma linda princesa acompanhada por uma formosa aia, de cabelo negro e olhos azuis, que cavalgava um cavalo negro. De repente, a vara começou a ficar verde e El Haturra começou a rejuvenescer, tornando-se jovem e belo. Ao primeiro olhar, El Haturra tinha reconhecido na aia a descendente de Cid Alafum e, juntamente com Álvaro, saiu atrás das duas jovens que se dirigiam à corte do rei de Portugal.

Diz a lenda que El Haturra conseguiu convencer a jovem aia a casar-se com ele e o rei de Portugal abençoou a união com uma condição: o baptismo de El Haturra. De início o agora jovem El Haturra opôs-se veemente, mas por fim a sua paixão foi mais forte e aceitou o desejo real. O baptismo ficou marcado para o dia do casamento e foi então que aconteceu algo de extraordinário: no momento em que estava a ser baptizado, El Haturra voltou a ser velho e feio como dantes.

A magia da caninha verde só seria válida se ambos os nubentes professassem a religião de Maomé. A noiva desmaiou naquele mesmo momento e nunca mais quis ouvir falar no seu noivo que desapareceu para sempre, enquanto que a sua cana verde foi guardada num sítio secreto. Segundo a tradição, se alguém gritar "Viva o fidalgo da caninha verde!" no mesmo local e à mesma hora em que se deu o encontro entre os dois descendentes de Cid Alafum, ouvirá gargalhadas alegres das mouras encantadas que pensam que chegou a hora da sua libertação.

P.S. - Quem quiser saber se a lenda é verdadeira só tem de cá vir... lol

sábado, maio 09, 2009

Publicidade exagerada...


Hoje é este o meu tema: Publicidade exagerada na televisão.

Todos os dias somos bombardeados com anúncios publicitários quase ininterruptamente. De manhã à noite vemos, vezes sem conta, os mesmos anúncios: champôs, cremes, café, medicamentos… champôs, cremes, café, medicamentos. Um círculo que dá cabo da paciência a muitas pessoas. (a mim pelo menos dá)


Quem é que estando entretido a ver um filme ou um documentário já não foi interrompido por uma infindável sucessão de anúncios? Lá vamos nós mudar de canal, ver se o tempo passa mais depressa e recomeça o programa que estávamos a ver, e o outro canal também se encontra a passar publicidade. Quem já não desistiu de um filme ou algo que queria muito ver, apenas porque não tinha paciência para esperar que o intervalo (agora quase de 30 minutos) terminasse? Eu já, muitas vezes.


Segundo a Marktest, em Dezembro de 2006, foram 60508 as peças publicitárias passadas nos ecrãs da RTP1, RTP2, SIC e TVI, considerando todos os tipos de publicidade à excepção das auto-promoções dos canais. Este montante equivale a uma média diária de 488 inserções de publicidade por canal.


No que concerne à duração dos spots publicitários, durante o ano de 2006, esta foi em média de 28 segundos. Por canais, verificou-se que, em 2006, a duração média dos spots subiu em todos os canais, à excepção da TVI, cujo valor se manteve inalterado face ao mesmo período de 2005. Na SIC foi onde se observou maior aumento na duração média destes spots, passando de 23 para 28 segundos.


Em suma, em 2006, RTP1, RTP2, SIC e TVI emitiram cerca de 5300 horas de publicidade, de acordo com os dados da MediaMonitor. 5300 horas! Não será um pouco de mais?


Sinceramente, apesar de ser formada na área de marketing, não consigo perceber qual a estratégia que recentemente tem vindo a ser seguida pela maioria das televisões portuguesas. Tantos anúncios seguidos só fazem com que os espectadores se chateiem e mudem de canal ou, simplesmente, desliguei a televisão. Sei que a publicidade tem o objectivo de nos informar sobre os produtos ou serviços que há no mercado, mas pergunto: acreditam sinceramente que é possível apreender alguma coisa quando, num único intervalo, vemos mais de 20 spots seguidos? Não, não conseguimos. Ao fim do 3 ou 4 anúncio o nosso cérebro desliga. É informação demais para processar de uma só vez. Em vez de nos levar a comprar, este exagero, tem exactamente o efeito contrário. Vou dar-vos um exemplo. Actualmente tem passado muito o anúncio da Compal (aquele em que a rapariga deixa cair a toalha). A música até pode ser animada, mas, honestamente, o anúncio já chateia. Em 20 minutos é capaz de passar umas 5 vezes.


Isto aliado ao facto de o som, durante os intervalos aumentar substancialmente, só dá vontade de partir a televisão.
Só espero que os publicitários e responsáveis de marketing das empresas se apercebam dos erros que estão a cometer e parem com este exagero. É que, às vezes, o que é demais chateia, e muito!!!

quarta-feira, maio 06, 2009

O (des) atendimento público em Portugal...


Se há coisa que me chateia imensamente neste país é a forma como os cidadãos são atendidos quando se dirigem a alguma instituição, seja ela de forma presencial ou por telefone.

Gostava imenso de saber onde é que as pessoas, que estão no outro lado do balcão (ou do telefone), tiram o curso de atendimento ao público. Se calhar o diploma saiu-lhes num pacote da farinha amparo!!!

Atenção que não quero generalizar, pois sei que há locais onde as pessoas são atendidas com toda simpatia e atenção, mas há outros de levar as mãos à cabeça de tanto desespero.

Somos mal atendidos ou porque o senhor (a) que está atrás do balcão está mal disposto (a) porque teve uma má noite, ou porque levou uma multa da polícia, ou porque se foi pesar e viu que engordou um quilo, ou porque partiu uma unha, ou outras milhentas coisas que não nos interessam para nada... Eu compreendo que as pessoas tenham problemas (eu também os tenho), mas quem está à frente de uma instituição, a dar a cara, não pode deixar transparecê-los.

Mas, às vezes não é só um mau dia que estão a atravessar, às vezes sofrem de uma terível falta de jeito no que concerne atendimento ao público. Já alguma vez foram a algum sítio e tiveram que esperar 30 minutos para serem atendidos mesmo não estando ninguém à vossa frente? Eu já! Já vos deixaram pendurados porque de repente a pessoa que vos estava a atender recebeu um telefonema do fillho ou da filha? Eu já! Já ficaram à espera porque a pessoa que vos ia atender (finalmente) saiu porque tinha que ir tomar um cafézito? Eu ja! Já foram totalmente ignorados por uma recepcionista simplesmente porque estavam de fato de treino? Eu já!!!

E esta última deixou-me mesmo com os nervos em franja... Eu e a minha prima Catarina, de vez em quando, costumamos fazer umas caminhadas aqui pela zona. Uma vez fomos até as Termas a pé e ela perguntou-me se no Balneário D. Amélia (o balneário das pessoas chiques) teria um folheto com os preçários dos tratamentos. Assim ela podia ir buscá-los e colocá-los no local de trabalho dela (ela trabalha num hotel lá nas Termas) para os hóspedes verem. Eu respondi que devia ter e lá fomos nós. Entrámos e vimos a recepcionista a falar com um senhor. Como bem educadas que somos não interrompemos a conversa e esperámos que ela se dirigisse a nós ou que a conversa terminasse.

Mas não aconteceu nem uma coisa nem outra. Limitou-se a olhar para nós de lado e "nem uma nem duas", continuou a falar com o tal senhor como se nós as duas fossemos totalmente invisiveis. Por instantes senti-me um fantasma!!!

Ainda fui até a um vidro e olhei para mim de cima abaixo para ver se estava assim tão mal vestida... mas não. Estava só de calças de fato de treino e uma camisolita desportiva, assim como a minha prima. Nada de anormal ali, pois muitas pessoas andam assim a passear por ali. Enquanto eu continuava a olhar para a recepcionista feita parva (se tivesse os poderes do Super-Homem acho que a tinha fulminado. Ela pode agradecer o facto de "olhos fulminantes" só existirem em filmes, se não ela neste momento não passava de lombo e costeletas assadas)... a minha prima foi ao balcão ver uns papéis, que, por acaso eram os preçários.

Foi nesse momento que reparei que ela sabia que estávamos ali, mas não porque nos tivesse falado, não! Notei tal facto pois os olhos dela deslizaram na direcção da minha prima, continuando na mesma a falar com o tal homenzinho. (grande conversa e grande lata também) Passado uns segundos o senhor lá se foi embora e nem assim ela se dignou a perguntar-nos fosse o que fosse. Limitou-se somente a responder quando a minha prima lhe perguntou se podia levar os folhetos com os preçários. "Pode, pode!", respondeu ela. ("Você é parva, parva!", apeteceu-me dizer-lhe, mas lá me contive)

Pergunto: mas isto é maneira de tratar/atender alguém? Uma recepcionista que entendesse o minímo de atendimento ao público, mal nos viu entrar, dizia-nos bom dia com um sorriso e dizia-nos para esperar um momento enquanto acabava de atender o senhor,ou então, perguntava o que desejávamos, e como era algo rápido, atendia-nos e pronto. Mas não!!! Enfim...

É preciso, urgentemente, melhorar isto. E tenho dito!

segunda-feira, maio 04, 2009

P.S. I Love You... Sometimes there's only one thing left do say

Ontem vi este filme à noite antes de ir dormir. Acho que não o devia ter feito porque nem conseguir dormir bem consegui... É um filme lindo e surpreendentemente triste e alegre ao mesmo tempo.

Antes de o ver pesquisei na internet algumas critícas sobre o mesmo e confesso que vi algumas que me deixaram apreensiva em relação ao filme. Diziam que era "lamechas" de mais, que não valia a pena vê-lo ou mesmo que Hilary Swank, apesar de já ter arrecadado 2 oscares, tinha muito que aprender no que concerne a comédias românticas.

Pois bem, depois de ter visto o filme, fiquei a pensar quem tem que aprender o quê. Acho que quem fez aquelas críticas não percebeu o filme, nem a mensagem de amor e esperança que ele transmite.

Este filme tem partes/cenas que nos fazem rir é verdade, mas não podemos considerá-lo como uma comédia romântica na sua plenitude. Na realidade é mais um drama/romance.

Holly Kennedy (interpretada por Hilary Swank) é bonita, inteligente e casada com o amor da sua vida – Gerry (Gerard Butler)– um apaixonado, divertido e impetuoso irlandês. São felizes, até que uma tragédia lhes bate à porta. Gerry morre e a vida de Holly parece, também, ter terminado. Ninguém a conhece como Gerry. Holly fecha-se em casa, afastando-se de tudo e de todos, agarrando-se com todas as forças à lembrança do seu amor, Gerry.

No entanto, no seu 30º aniversário, Holly recebe um bolo e uma cassete gravada por Gerry que a incita a sair e celebrar a vida. Nas semanas e meses seguintes Holly recebe novas cartas, entregues de formas surpreendentes, que terminam todas com P.S. I Love You.

Cada carta é um passo em frente no processo de recuperação de Holly, que lentamente volta a acreditar na felicidade. Com as palavras de Gerry como seu guia, Holly embarca numa tocante, excitante e por vezes hilariante viagem de redescoberta numa história sobre casamento, amizade e como a força do amor consegue transformar a morte num novo começo de vida.

Nunca antes tinha visto um filme que me fizesse chorar e rir ao mesmo tempo. É triste a história de Holly. É triste apercebermo-nos que num instante podemos ter tudo e no instante seguinte, tudo nos ser tirado por um terrível acaso do destino? Que fazer então? Como seguir em frente quanto aquilo que tinhamos de mais precioso nos é "roubado"? Como recomeçar a vida quando o amor da nossa vida já não está do nosso lado? Alguma vez seremos felizes de novo? Estas são as perguntas que surgem ao longo de todo o filme e na cabeça de Holly...

Aconselho vivamente a verem este filme... A nossa vida é recheada de capítulos e lembrem-se que, quando um acaba, logo outro começa...

Agora aqui fica a última carta que Gerry escreveu a Holly. A mais linda de todas...

"Dear Holly,

I don't have much time. I don't mean literally, I mean you're out buying ice cream and you'll be home soon... But I have a feeling this is the last letter. Because there's only one thing left to tell you. It isn't to go down memory lane or make you buy a lamp. You can care of yourself without any help from me. It's to tell you how much you move me. How much you changed me. You made me a man by loving me Holly... and for that I am eternally grateful. Literally.

If you can promise me anything, promise me that whenever you're sad, or unsure, or you lose complete faith, that you'll try to see yourself through my eyes.

Thank you for the honor of being my wife.
I'm a man with no regrets. How lucky I am?
You made my life Holly, but I'm just one chapter in yours. There'll be more. I promise. So here it comes, the big one... Don't be afraid of falling in love again. Watch out for that signal when life as you know it ends.

P.S. I will always love you"

domingo, maio 03, 2009

Porque mãe... Há só uma!


3 de Maio de 2009... Dia da Mãe!

De facto... as mães são tão importantes que têm um dia dedicado somente a elas.

Hoje é aquele dia em que damos presentes às nossas mães, um beijo ou um abraço e dizemos que as adoramos sem ninguém nos chamar de "lamechas" ou "meninos da mamã"... :-)

Pois bem... a minha mãe, provavelmente, nunca vai ler esta mensagem no meu blogue, mas mesmo assim aqui fica esta pequena mensagem de apreço por tudo o que ela fez por mim, por todo o carinho e amor que me deu (e dá) e por todos os sacrifícios pelos quais passou para me dar tudo aquilo que tenho... Mãe, és a minha heroína! Adoro-te muito!

E aqui vai um pequeno poema dedicado a todas as mães (e à minha em particular):

"Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento,

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade
"

sábado, maio 02, 2009

Doubt...


Recentemente vi este filme. É um filme diferente daquele a que estamos habituados a ver. Um filme profundo sobre a fé e a perda da mesma, sobre convicções e dúvidas, sobre o pecado e virtude, sobre inocência e maldade.

Uma história com acções bem conduzidas onde estes temas são abordados de uma forma precisa e ilucidativa.

Quatro dos actores deste filme foram nomeados para um Oscar… pena nenhum deles ter conseguido arrecadá-lo. Entre as mais vastas interpretações destaca-se Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman que mais uma vez demonstraram o porquê de serem dos mais conceituados actores em actividade.

História: Um ano depois do assassinato de John F. Kennedy uma comunidade católica do Bronx, em Nova Iorque, une-se ao redor da Igreja de Sant Nicholas. A congregação vive uma época de conflito entre a visão moderna de um padre e a conduta tradicionalista da freira que dirige a escola de Sant Nicholas. Um líder inespirado, padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman) é visto com desconfiança pela freira Aloysius Beauvier (Meryl Streep), especialmente depois de um sermão pregado pelo mesmo cuja Dúvida era o tema principal. Semeando perguntas e suspeitas entre as freiras da congregação, ela pede a Irmã James (Amy Adams) para que esta vigie as acções do padre. Depois de a Irmã James ter visto algo que considerou suspeito, a Irmã Aloysius empreende uma cruzada contra o padre Flynn, tentando por todos os meios provar que este teria uma relação "anormal" com um aluno negro da escola.

Critícas: Só pelo resumo do filme já se pode ver quais os temas abordados. Para começar a questão da dúvida para pessoas religiosas como é o caso de um padre. Todas as pessoas sabem que a dúvida é o oposto da fé e que, pelo menos em teoria, pessoas religiosas vivem a fé plena.

O problema é quando um religioso tem dúvidas e não encontra respostas para as suas perguntas. O que fazer então? No filme temos de um lado a freira Aloysius, uma mulher dura, convicta, firme nas suas crenças, fé e propósitos. Do outro lado, temos ao padre Flynn, um “modernista” dentro da Igreja, que não leva a ferro e fogo os dogmas católicos, acreditando que a Igreja se deve renovar de forma a tornar-se mais receptiva aos outros. Tradição versus modernidade!

Mas mais do que isso, Doubt mostra que as linhas que separam estas duas personagens não são tão evidentes assim pois, chega uma altura em que percebemos que a irmã Aloysius e o padre Flynn são mais parecidos do que ambos gostariam de admitir, seja pelas dúvidas que os atormentam, pelas convicções que abraçam ou pela culpa que carregam devido a erros do passado (ou talvez presente).

Mas há mais. Existe uma disputa óbvia entre as duas correntes dentro da igreja. Mas, existe também uma disputa interna, pessoal e instransmissível. Grande parte das personagens do filme encontram-se num momento de crise, de dúvida, de estabelecimento de convicções. Assim como existe o conflito entre inocência e a experiência ou malícia. Uma autêntico abismo separa a irmã Aloysis e a irmã James. Talvez um abismo que advenha da experiência de uma e inexperiência de outra, respectivamente, ou, talvez, de algo maior do que isso, sentimentos caracteristicos e instrínsecos ao ser humano.

Além de todos estes temas, o filme toca noutro muito delicado: o abuso de crianças por parte dos padres. Temos assistidos a inúmeros escândalos neste sentido. Uma cruz que a Igreja tem que carregar.

No final, não fica comprovada a culpa do padre. Fica a dúvida! Ainda que eu ache que cada pessoa pode tirar a sua própria conclusão e fazer o seu próprio final. Alguns terão certeza que o padre abusava sexualmente do aluno negro, outros acharão que ele saiu da paróquia para não criar mais problemas ao rapaz que, supostamente, era abusado, pois este já era perseguido devido à cor de pele e pela sua maneira particular de ser (a mãe deu a entender que ele era homossexual). A dúvida realmente permanece no final do filme.

Eu, pessoalmente, acho que o padre Flynn estava inocente de tal acusação. Não porque seja intrinsecamente boa e acredite que todos temos um coração puro. (Pois já tive a minha quarta parte de momentos menos positivos, com pessoas de "coração obscuro") Mas antes porque alguns indícios que surgiram no filme me apontaram para tal...

Quem viu o filme talvez se lembre destas pequenas pistas... Quem não viu, aconselho vivamente a ver. A primeira pista vem do 1º confronto real entre a irmã James e a irmã Aloysis que teve lugar no escritório da mesma. Um confronto que adveio da certeza (mesmo sem provas) de que o padre Flynn mantinha uma relação pecaminosa (digamos assim) com o tal aluno. A irmã James, que acredita na inocência do padre Flynn, suspeita que a reitora da escola empreende esta cruzada contra o padre unicamente por não gostar dele, da sua maneira de ser e ver as coisas. Fica tão revoltada, insurgindo-se de tal modo que grita com a directora da escola, sendo nesta altura que se estoira a lâmpada do tecto do escritório.

Pois bem, no final, aquando o confronto entre a irmã Aloysis e o padre Flynn o mesmo acontece na altura em que o padre, revoltado por estar a ser acusado sem provas, lhe pergunta o porquê de tudo aquilo. Será um sinal? A lâmpada estoirou com a irmã James e com o padre Flynn... Coincidência ou uma pista?

Sabemos que a irmã James é instrinsecamente boa, capaz de amar sem restrições, capaz de perdoar, capaz de ver o melhor em cada ser humano e incapaz de praticar o mal, não tendo qualquer tipo de malícia em seu coração. Não será o padre Flynn assim também?

Segunda pista... durante esta mesma discussão e após toda as frases da irmã James ouvia-se um forte trovão. Segundo a crença popular quando troveja é porque Deus está zangado connosco. Seria aquilo uma forma de mostrar que a directora estava enganada?

Bem, esta é a minha opinião, ou melhor, a minha visão e percepção do filme. Pode estar certa ou pode estar errada, nunca saberei. Continuarei na Dúvida...

Vendo bem… quem não tem as suas dúvidas?

Nickelback - Someday

Uma música e letra lindas num clip estrondoso.

sexta-feira, maio 01, 2009

(Des) Acordo Ortográfico

Bem, já se fala deste acordo ortográfico há imenso tempo, mas tem sido adiada a sua implementação em Portugal. Segundo vi hoje nas notícias está previsto que seja em príncipios de 2010 (ou talvez um pouco antes).

No início do século XX, quer em Portugal, quer no Brasil, surgiu a intenção de estabelecer um modelo de ortografia que pudesse ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino em ambos os países, iniciando-se assim um longo processo de tentativas de convergência das duas ortografias.


No ano de 1943, realiza-se em Lisboa um encontro entre os dois países com o objectivo de uniformizar os vocabulários já publicados, o da Academia das Ciências de Lisboa, de 1940, e o da Academia Brasileira de Letras, de 1943. Deste encontro resultou o Acordo Ortográfico de 1945, que, no entanto, apenas se tornou vigente em Portugal, não tendo sido ratificado pelo Brasil, que continuou a reger-se pelo Vocabulário de 1943. Em 1986 foi feita no Brasil uma nova tentativa de uniformização da ortografia, mas não se chegou a consenso.


Anos mais tarde, fruto de um longo trabalho desenvolvido pelas Academias de Portugal e Brasil, os representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, ao qual em 2004 adere o recém-independente Timor-Leste. O Acordo Ortográfico de 1990 entrou em vigor no início de 2009 no Brasil e tudo indica que outros países o farão brevemente.
O que me preocupa são as implicações deste acordo ortográfico...
A nossa ortografia ficará completamente alterada... Senão vejamos:


As alterações mais significativas consistem na eliminação sistemática das consoantes c e p em palavras em que estas letras sejam invariavelmente não-articuladas nas variantes cultas da língua, como óptimo e correcto, passando a escrever-se ótimo e correto, respectivamente. Elimina-se também o hífen nas formas verbais hão-de e há-de.

Exemplos:


Norma actual (pt-PT) Acordo ortográfico


acção ------------------------ ação

acto -------------------------- ato

afecto ------------------------ afeto

aspecto ---------------------- aspeto

detectar --------------------- detetar

respectivo ------------------ respetivo

infecção ---------------------- infeção

óptimo ----------------------- ótimo

concepção ------------------- conceção

recepção --------------------- receção

intersecção ----------------- interseção

intercepção ---------------- interceção

asséptico -------------------- assético

Egipto ------------------------ Egito

adoptar ----------------------- adotar

há-de ------------------------- há de

hão-de ----------------------- hão de


Coisa estranha... É de mim ou parece que vamos todos começar a escrever mal? O que irá acontecer às grandes obras dos nossos escritores? Serão elas desvirtuadas por esta nova maneira de escrever? É isto um acordo ou um desacordo? Estamos a aprender ou a desaprender?


Por mim ficava tudo como está...

Blindness


Este foi, se não me falha a memória, um dos últimos filmes que fui ver ao cinema. E marcou-me de tal forma que ainda hoje, quando penso nele, fico um pouco angustiada.
Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, em inglês) é um filme de 2008 dirigido por Fernando Meirelles e baseado no livro homónimo do vencedor do Prémio Nobel, José Saramago.
O filme começa com uma praga de "cegueira branca" que se estende ao longo de uma cidade, a um ritmo bastante rápido. Diferente da comum cegueira, na qual a pessoa cega não vê nada a não ser um quadro preto, este novo tipo de cegueira faz as pessoas infectadas verem branco. Temendo que esta estranho praga seja altamente contagiosa, o governo entra em pânico e começa a enviar as pessoas infectadas para uma local remoto (um velho e abandonado hospital de doentes mentais) de forma ficarem de quarentena. É, de facto, impressionante a forma como vemos a cegueira propagar-se aleatorimamente de um único indíviduo, para outro que o ajuda, mas que de seguida lhe rouba o carro (aproveitando-se do facto de o primeiro de encontar cego), para um oftalmologista (Ruffalo), e depois para todos os seus pacientes. A única pessoa que parece imune a este foco é a esposa do médico (Moore), que o acompanha para as instalações de quarentena.
O antigo hospício acaba por se tornar um pequeno e esquálido inferno há medida que mais e mais pessoas são trazida. É o começar de variados problemas! O local não tem de água, nem formas de comunicação com o exterior, nem mesmo material médico de emergência. Os soldados, que se encontram de guarda no exterior, estão fortemente armados e têm ordens para não deixar ninguêm sair do perímetro, nem que para tal tenham que recorrer à violência. Em breve todos os três dormitórios atingem a sua plena capacidade e vemos um cenário deplorável..urina e fezes cobrir o chão dos corredores.
A comida é trazida em caixas diariamente e deixada aos doentes para que eles próprios decidam o seu racionamento. Depressa, cada camarata escolhe o seu líder, para que este seja a voz dos restantes e resolva os problemas de maneira diplomática.
No entanto, na camarata número 3 uma revolta está prestes a acontecer. Encabeçada por um antigo empregado de mesa, que agora se auto-proclama Rei da Camarata (Bernal, num fantástico papel de mau da fita), e o seu contabilista (Chaykin), que consegue ler Braille, pois foi cego toda a vida, a revolta começa.
Armados, eles não têm medo de usar da violência para atingirem os seus objectivos, e tomam o controlo completo, especialmente da comida.
Se de ínicio, eles exigem artigos de valor (como jóias e relógios) em troca de comida, mal estes acabam, passam a exigir mulheres. Sexo em troca de comida pura e simplesmente! Isto leva a uma sequência do filme intensamente cruel, onde todas as mulheres são sexualmente agredidas e molestadas pelos homens da camarata 3. Uma das quais morre de maneira brutal.
Até que chega a altura em que algo deve ser feito para parar esta barbárie. A única maneira é utilizarem o seu único trunfo: a mulher do médico (Moore), a única que consegue ver. Ela mata o Rei (Bernal) e uma guerra instala-se. Um incêndio é ateado e todos os ocupantes da camarata 3 morrem. O médico (Ruffalo) e um punhado de sobreviventes, liderados e guiados pela esposa (Moore), são levados para fora do hospício, apenas para descobrir um cenário completamente surreal - todos na cidade se encontram totalmente cegos.
Ela leva-os para a sua casa, de forma a poderem começar a planear uma nova vida.
O filme termina com o primeiro homem que foi atingida pela "cegueira branca" a recuperar a sua visão e, em seguida, uma grande foto do céu da cidade, o que implica que tudo volta ao normal. Ou será que não?
O filme tem uma mensagem subliminar de extrema importância... A cegueira não é só fisíca, pode também ser psicológica.
Graças à cegueira física que atingiu todas as pessoas da cidade (menos Moore), foi possível cada um mostrar aquilo que realmente eram, os seus medos, fraquezas, angústias, receios. Puderam unir-se e ajudar-se mutuamente para escaparem daquele horror. Formaram-se laços de amizade e talvez amor. Mas e depois?
Será que agora que a "cegueira branca" desapareceu ia continuar tudo assim ou tudo ia ser como dantes? Em que era cada um por si! A cegueira tornar-se-ia psicológica?
Iria Moore ficar "cega" agora?
Aconselho vivamente a verem este filme... Mas cuidado! Não é um filme para qualquer um...